
O arquipélago de Bazaruto (Moçambique) é considerado um dos mais belos do continente africano. Com uma paisagem mais ou menos idêntica em todas as ilhas, este arquipélago tem tudo o que se possa sonhar: águas cristalinas, areias brancas e recifes de coral.

Na figura (em cima): o fundo do mar de Bazaruto.

Na figura (em cima): Praia do arquipélago de Bazaruto.
O arquipélago de Bazaruto inclui, como ilhas mais importantes, Bazaruto, Benguerua, Santa Carolina, Magaruque e Lunene. Destas, só as duas primeiras são habitadas.
Durante a guerra civil, a população do arquipélago aumentou exponencialmente por razões óbvias: a guerra que, neste local não passou apenas de um ruído na vida dos pescadores e dos ostreiros.
Nestas ilhas ouve-se mais o "funingaloo" (língua franca desta região, inventada pelos mineiros na África do Sul) que o português ou o inglês, e o cheiro a peixe seco que enche o ar adjectiva o meio de subsistência dos nativos.
Junto ao mar, ouvem-se, muitas vezes, os cantos tribais com que os pescadores ritmam as remadas que quebram o espelho liso deste oceano, onde mora a tal paz de espírito, com peso, cor e forma subaquáticos.
Com 38 Km de comprimento e sete de largura, Bazaruto é a maior ilha do arquipélago e de Moçambique. Tem cerca de 2000 habitantes, que vivem quase exclusivamente da pesca, um hotel e um farol construído em 1914. Mas esta ilha tem também florestas densas de Casuarinas, que crescem mesmo até junto à praia, proporcionando execelentes sombras a quem prefere ficar fora de água.

Em 1971, parte do arquipélago foi considerada Parque Natural Marinho (Benguera, Magaruque e Bangue) e as ilhas de Bazaruto e Santa Carolina foram classificadas como zonas de vigilância especial.
Com cerca de 260 espécies diferentes e reconhecidas de aves, das quais se destacam as colónas de flamingos que pousam nos recifes de coral, no arquipélago de Bazaruto é possível encontrar exemplares de fauna marinha já extintos em outros pontos do Mundo.
Sereia mítica de poetas e marinheiros, o Dugongo é um mamífero a quem os pescadores chamam "mulher peixe" porque, dizem, tem seios e cabelos de algas; já quase não existe, podendo ser visto à volta das ilhas, constituindo uma atracção muto forte. Há ainda a possibilidade de observar tartarugas, golfinhos e tubarões.

Na figura (em cima): Dugongo.

Na figura (em cima): cardume em bola defensiva.
Quando se mergulha neste mar, assiste-se a uma complexa explosão de vida colorida. Neste arquipélago pode-se encontrar, debaixo de água, quilómetros de recife e, sobre estas cordilheiras de coral, existem enormes cabeleiras esverdeadas, anémonas gigantes com enormes tentáculos globulares, policiadas de perto por peixes-palhaço que nelas habitam.
Na figura (em cima): Cardume em formação sinusoidal.
Entre os corais surgem também, para além dos tubarões, enormes cardumes que se movem de um lado para o outro como gigantescas manchas de cor e por entre grupos malignos de encharéus.

Na figura (em cima): cardume de peixes-anjo.
De facto se a vida tem um sentido, deverá ser este. Um incomensurável espaço a envolver um infindável tempo. Não existem paredes nem relógios neste maravilhoso arquipélago que se chama Bazaruto.

Na figura (em cima): Peixe-Crocodilo.
Pérolas e lendas

Na figura (em cima): Limpopo.
Existe uma lenda que diz que Bazaruto vem de um tempo muito antigo, quando a rainha de Sabá esteve em Bazaruto para buscar as suas pérolas. O arquipélago foi, na realidade, durante muitos anos um posto de transacção para os árabes, onde se trocavam pérolas por especiarias.
Diz também a lenda que o comandante Lourenço Marques, que deu o nome à cidade hoje conhecida por Maputo, raptou um dia uma princesa indiana. Para fugir à família, escondeu-se com ela em Bazaruto... e ali viveram e se amaram, sem que ninguém, sem que ninguém o descobrisse.


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