
Ainda que timidamente, um de entre muitos temas que diversos cidadãos do meu país tem tido algum interesse em falar nos dias que correm, diz respeito a uma cada vez significativa entrada de seitas religiosas em Moçambique.
O carácter duvidoso de algumas dessas seitas religiosas, que pelos seus métodos de chegada, de penetração e consequentemente de actuação no campo da fé, tem sido o principal alimento para os debates a que me refiro!
Ainda que timidamente, tem sido tema de algum debate aceso nos cafés, nos chapa 100 (transportes públicos), nas casas de pasto e nas residências, o facto de quase que forçosamente, algumas seitas religiosas estarem a actuar como se estivessem num mercado concorrencial a busca de cada vez mais clientes.
TACTICAS PARA BUSCAR MAIS FIEIS
Com o mecanismo de fazerem-se zombarias que irrompem as barreiras sonoras dos locais de culto vêem-se Pastores inspirados que prometem exorcizar os males que se abatem sobre determinados crentes, levando a que muitos pensem imediatamente que se podem livrar de tais males, a ponto de essa libertação custar estrategicamente uma contribuição financeira e/ou material a igreja. Em muitas destas igrejas, cultiva-se o espírito individualista que se materializa na concentração de bens, alinhando pela teologia da prosperidade. Aqui a religiosidade actua com tal perfeição que muitos lares e amizades por vezes acabam desfeitos ou menos perfeitos dado que os parcos recursos antes divididos no seio familiar, servem para outra nova família, a da Igreja.
Uma táctica a não descurar, de busca por cada vez mais crentes são as visitas que se fazem as casas dos cidadãos com o pretexto de oferecer um livro ou folheto, ou ainda o travar de algumas conversas para deixar um conselho. Em outros casos, o transeunte que se atreve a passar pela parte frontal de certas igrejas, quando nesse dia, o plano traçado é o de capturar crentes ali mesmo a porta, vê-se obrigado a ter que parar com a sua marcha para receber o convite para alinhar naquela igreja. Se possível, ali e logo!
O USO DAS RÁDIOS E TELEVISÕES
Mas as tácticas não param por ai! Nos últimos tempos, o mecanismo passou do simples contacto físico para um contacto audiovisual. Canais de televisão e de rádio na capital Maputo e em outras províncias têm sido usados de forma massiva para difundir os ideais de determinadas seitas. De forma quase que irritante, interrompem-se programas ao longo das emissões para dar lugar a "chamada aos crentes". Se esta situação é de conhecimento e controle por parte dos órgãos que supervisionam a Comunicação Social em Moçambique, nomeadamente o Gabinfo – Gabinete de Informação e o Conselho Superior de Comunicação Social, não sei. Penso, porém, porque é de Lei, que os canais que difundem tais programas religiosos devem estar devidamente autorizados para o efeito, porque na abertura de qualquer canal, uma das exigências da Lei 9/91, a Lei de Imprensa é a entrega ao órgão supervisor, da Linha Editorial e da Programação dos canais. Obrigam-se ainda aos canais que obrigatoriamente apresentem estes instrumentos sempre que solicitados pelos órgãos acima citados.
Diga-se igualmente que para a veiculação dos referidos espaços de antena, nos canais que não são propriedade das igrejas, o pagamento de verbas avultadas de acordo com as tabelas de publicidade, afigura-se sempre necessário. Dai que não restam margens de dúvidas para percebermos que algumas destas seitas têm um poder financeiro invejável dado o tempo que ocupam vs dinheiro necessário. Aquelas sem tanto dinheiro para colocarem programas televisivos ou radiofónicos como atractivos para os crentes passam as suas mensagens de forma tradicional (o passa a palavra). Quero referir, para que não seja negativamente rotulado de ser uma pessoa contraria a igreja, que não estou contra as mesmas. Alias, sou crente e bastante favorável a igreja pelo facto de esta desempenhar um papel preponderante na moralização da nossa sociedade. Algumas, a custo de algum sacrifício em nome do Nosso Senhor, tem até conseguido trazer a razão e a consciência, pessoas que estejam ligadas ao pernicioso mundo das drogas, do álcool e da prostituição, o que a meu ver é bastante positivo para a sociedade sã que pretendemos edificar. Entretanto, durante todos estes anos, eu particularmente nunca tinha assistido a tamanha apetência de seitas religiosas em buscarem mais fieis para o interior das igrejas, e o facto de isso estar a suceder da forma que estamos a assistir implicou que procurasse junto do amigo leitor procurar perceber o que se esta a passar neste nosso pais religioso.
O QUE ALGUNS PENSAM?
Foi com recurso aos meios tecnológicos, que antes de escrever este artigo, lancei, na rede social da Internet da qual faço parte, o Facebook, um debate sobre esta matéria. Junto de milhares de amigos virtuais que fazem parte da minha lista, as mais diversas reacções caminharam no sentido de referirem-se as igrejas como se de um negocio tratasse. Nádia da Silva disse "Agora tudo virou negocio, as igrejas pior. E interessante k essas igrejinhas cobram dízimos e preferem crentes mais afortunados pois os dízimos são mais gordos. Já não se fazem igrejas como antigamente, por isso prefiro ficar c nha católica, não importa se tens ou não dinheiro e se tiveres, não importa a quantia, ate centavos são bem-vindos". Outro disse "eu sei que mesmo na igreja católica existem desonestos mas ainda não os ouvi dizer que alguém lá foi e foi curado de uma cegueira por um simples grito evocando o nome de Jesus" adiante, uma jornalista conceituada da nossa praça escreveu na minha pagina do Facebook: "Desde quando cobrar dinheiro na igreja é sagrado? Ta na hora sim, de os fiscais passarem pelas igrejas. O dizimo que fala a bíblia não significa que o crente que der mais ira ao paraíso nem que quem pagar em dólares ira ao paraíso. Hoje não são as igrejas que ajudam os crentes, mas os crentes que enchem os bolsos dos pastores." - refutou. Entretanto, uma outra opinião abordara a questão da seguinte forma: "Com muita dor no coração tenho k dzr k penso k mts olham pa Igreja como uma oportunidade de negócio. Já lá se foram os tempos em k a fé guiava os líderes religiosos... Perdoa nos pai". e Da Cruz Mubane, um jovem que alinha nesta esta rede social escreveu "O mais curioso disso tudo é: o Ministério das Finanças considera essas instituições, como não lucrativas ou não? Como é feita a tributação dessa enorme facturação que eles possuem. E o mais importante, a aplicação desses fundos.... não falo aqui daquela igreja com 10 cadeiras, e uma mesa que surgiu no nosso bairro, falo sim das de grande porte. (que algumas delas deviam constar na lista das 100> empresas de moc)." Cremildo Juvenal, alinhando no mesmo diapasão com os demais disse "A fé de alguns inocentes compatriotas nossos é o 'input' financeiro de outros k atravessaram o vasto atlântico para encherem os bolsos a custa da nossa pobreza.serao igrejas n verdadeiro sentido? Ou seitas sem nenhum valor? ". Outra opinião foi a seguinte "Eu não duvido, tenho exemplo concreto d tóxico-dependentes e prostitutas (perdoe-me pelo termo 1/2 pejorativo) que regeneram-se e hoje conseguiram uma admirável inserção n sociedade, todavia, as 'seitas' n meu humilde point of view são maquinas de dinheiro cuja fonte de alimentação é a FÉ dos nossos concidadãos.ABAIXO IGREJAS DE CINEMAS E PAVILHOES!!!!ou não? ".
FINALMENTE
Estas foram algumas das muitas opiniões do referido debate no Facebook e sobre o qual surgiram diversos questionamentos. Particularmente, sou obrigado a concordar muitas das opiniões desses cidadãos e propor que sejamos mais rigorosos no que diz respeito ao licenciamento das seitas religiosas, passando a pente-fino aquelas que de facto tem credibilidade e sobre as quais não se façam questionamentos como os que reparamos nas opiniões que coloquei acima (foi um copy and paste). Igualmente, penso que está mais do que na hora de o Gabinfo – Gabinete de Informação e o Conselho Superior da Comunicação, a luz das suas atribuições legais e constitucionais, intervirem visando velar pelo cumprimento da Linha Editorial e da Programação dos órgãos de radiodifusão com sinal aberto. Salvo o erro, no nosso pais irmão, Angola, a postura foi outra!

