Estudo revela que é urgente que tribunais judiciais compreendam "normas" da feitiçaria

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Coimbra - Um estudo sobre a feitiçaria em Moçambique alerta para a urgência da resolução do conflito entre as normas subordinadas às crenças populares e as legais estatais, sob pena de as questões do "oculto" continuarem sem controlo, noticia hoje, segunda-feira, a LUSA.

A feitiçaria continua a ser uma actividade corrente em Moçambique e tem registado um incremento dos conflitos em contextos urbanos, refere o estudo, que será abordado terça-feira num colóquio, no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

No estudo "Feitiçaria e Modernidade em Moçambique: questionando saberes, direitos e políticas", a antropóloga Maria Paula Meneses e o sociólogo Boaventura Sousa Santos referem que as questões do "oculto" têm sido "continuadamente politizadas contra o Estado colonial" e são "manipuladas por várias forças, dentro da sociedade urbana, na resolução de conflitos".

"É importante que o Estado reconheça essas forças até certo momento, definindo limites, porque aceitar tudo é aceitar linchamentos", afirmou, em declarações à Lusa, sublinhando que "há uma manipulação da problemática por várias forças dentro da sociedade".

A investigadora moçambicana do CES entende que se "exige uma intervenção mais forte do Estado, que reconheça e observe tais forças, porque o risco é continuarem a proliferar, funcionando sem controlo e em regime de queda livre".

Segundo o estudo, o Estado moçambicano, "tem vindo a consumir e a explorar estas disputas, negociando a participação de outras instâncias de resolução de conflitos e criando mesmo espaço para a emergência de novos actores sociais".

"Traçando as relações entre os sistemas formais e informais de poder e conhecimento, o que se observa em Moçambique é que o poder político está intimamente associado, nas representações e nas práticas, às políticas informais sobre e com o 'oculto'", revela o estudo.

Os casos de feitiçaria quando entram nos tribunais oficiais, "não são compreendidos, transitam como homicídios ou danos corporais", observou.

Daí que a autora defenda a necessidade de as Faculdades de Direito serem "mais sensíveis à complexidade cultural do país, na qual tem um peso as questões da feitiçaria".

Segundo o estudo, os tribunais oficiais "mostram-se pouco ou nada abertos à opinião popular que exige que a prática de feitiçaria seja controlada pelo Estado ao qual pertencem, do qual são parte, mas com cujas leis não se identificam totalmente".

A questão que se coloca, disse Paula Meneses, é saber "como construir um projecto nacional sem abdicar das conquistas dos direitos humanos mas acautelando a cultura" do país.

O estudo, cujas conclusões finais ainda estão a ser trabalhadas, implicou dois anos de trabalho de campo, incluindo entrevistas com juízes, médicos tradicionais e outros actores das justiças moçambicanas e a análise de casos de feitiçaria que chegaram aos tribunais.

 

 

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Dois importantes fatos, nesta vida, saltam aos olhos; primeiro, que cada um de nós sofre inevitavelmente derrotas temporárias, de formas diferentes, nas ocasiões mais diversas. Segundo, que cada adversidade traz consigo a semente de um benefício equivalente. Ainda não encontrei homem algum bem-sucedido na vida que não houvesse antes sofrido derrotas temporárias. Toda vez que um homem supera os reveses, torna-se mental e espiritualmente mais forte... É assim que aprendemos o que devemos à grande lição da adversidade. (Andrew Carnegie a Napoleon Hill)